O MAL DA INTIMIDADE
Início de namoro é a coisa mais
maravilhosa do mundo, ele segura peido, mija na beiradinha do vaso para não
emitir aquele ruído de torneira aberta, puxa a cadeira pra ela se sentar, beija
abraçadinho, apertado, se esfregando quase sempre de baixo pra cima, como o
Daniel San do Karate Kid pintando a cerca. É bom demais.
Quando vão sair, ela está sempre com a chapinha em dia e cheirosa, lindo.
Quando passo pra dentro do barraco a coisa muda de figura.
É justamente quando ele se dá conta de que esse ser é de outro planeta, possui 47 cromossomos, é mais complicado que motor de foguete da nasa.
No meio destas doces diferenças vão surgindo situações que contrariam tudo aquilo que aprendera na catequese e afins.
Pois bem.
Elas discutem sempre por questões nobres, do tipo, uma falta de bom dia quando sai para o trabalho, quando não emitem qualquer opinião sobre as micro mudanças que elas fizeram no cabelo (aparou apenas as pontas).
Mas acredito que o homem é fruto do meio e por isso se adaptam para não se pereceram na lógica clássica da seleção natural
Quando aprendem a lidar com essa calculadora HP12C, logo tem a certeza de que é possível continuar neste barco.
Ela fala, briga, e ele, sábio pela dor, não manifesta qualquer opinião. Logo, como é da natureza delas, como descrito em seu código genético, se indignam pela falta de opinião. Ele, que já pegou a manha, concorda e diz que vai mudar, afinal de contas, aprendeu à duras penas que se contrariar o assunto tornara-se infinito,
UMA ESTEIRA ERGOMÉTRICA VERBAL.
Imbuído daquela imagem perfeita que mencionei no prólogo deste, ele se depara com a intimidade.
Ah, essa tal de intimidade é foda.
Logo ela vai ao banheiro e castiga a porcelana, toma banho e lava a roupa íntima no chuveiro e, não obstante, a pendura no registro do banheiro. Mil vezes pior que o homem largar a toalha molhada em cima da cama.
Passemos para a divagação libidinosa.
No meio da lascívia ela para, no meio daquela felação que você precisa merecer (com muito sacrifício) e faz a pergunta clássica: Você me ama?
Putz, o cara pensa, chupa essa porra aí caralho!
Esse é o mal da intimidade dentre outras coisas bizarras que não me cansaria de listar.
A grande verdade que aos olhos delas somos Neandertais românticos inveterados, munidos de uma paudurecência infinita. Que nossa paciência é de Harecrishna.
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